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Governo Aécio: modelo sustentável da Cidade Administrativa beneficia Belo horizonte

Gestão sustentável

Cidade Administrativa gera benefícios para a região Norte

Fonte: Estado de Minas

Uma van, que carrega cerca de 20 pessoas por viagem, e uma Zafira, com sete passageiros, cruzam a Rua 2, saindo do número 165, no Bairro Nova Pampulha, em Vespasiano, na Região Metropolitana de Belo Horizonte (RMBH), rumo à Cidade Administrativa Tancredo Neves, centro nervoso do governo estadual. O transporte, que é feito cinco vezes ao dia, em trajetos de ida e de volta entre 11h30 e 15h, é oferecido gratuitamente aos servidores do estado que almoçam no Restaurante Casarão, localizado a 15 minutos da nova sede do governo de Minas.

Essa foi a saída encontrada pela empresária Augusta Maria Soares, que abriu o estabelecimento há um ano e quatro meses, em sua própria casa, para abocanhar parte de um mercado que, até outubro, vai somar 16 mil servidores, sem falar numa população flutuante calculada em até 10 mil pessoas diariamente. Hoje, já existem cerca de 4 mil funcionários públicos trabalhando no local. Resultado da estratégia: restaurante lotado – há 120 lugares, mas a casa atende aproximadamente 180 pessoas ao dia –, e planos urgentes para dobrar a capacidade de atendimento.

Shelen Sudário, assessora de recursos humanos da Secretaria de Desenvolvimento Econômico do Estado de Minas Gerais e Aparecida Lopes, diretora de planejamento e orçamento da mesma secretaria, são usuárias de carteirinha do sistema, que garante – e fideliza – a clientela do Casarão. “Venho aqui todos os dias. Gasto cerca de R$ 15 a cada almoço, incluindo sobremesa e suco”, diz Shelen. Na avaliação dela, a van é “super confortável”. Aparecida Lopes completa: “Adoramos a comida, muito caseira e bem feita”. O ambiente também é caprichado. Tem queda d’agua, muitas plantas e até uma calopsita (ave) cantadeira chamada Itamar, cujo ofício parece ser o de seduzir a freguesia.

O Casarão é o exemplo mais marcante, e um dos mais bem aproveitados, das oportunidades que estão surgindo no ramo da alimentação no entorno da Cidade Administrativa. Mas não é o único. Orcival Rodrigues Salomão Filho, o Wolverine, técnico em informática que trabalha na Secretaria de Governo (Segov), também descobriu o filão e já está faturando. Fornece entre 90 e 100 marmitas ao dia, a preços que variam entre R$ 5 (pequena) e R$ 7 (grande). “Quem prepara a comida é minha esposa, estudante de gastronomia. Só atendemos por encomenda”, explica. Wolverine trabalha na Segov há três anos e relata que começou a fornecer marmitas quando a secretaria ainda funcionava no Palácio da Liberdade. “Lá, eu vendia entre 30 e 35 ao dia, agora penso em ampliar a oferta conforme a demanda”. Para conseguir atender o aumento no número de pedidos, foi necessário contratar três ajudantes para a cozinha que montou em sua casa especialmente com essa finalidade.

O mercado atendido pelos dois empreendedores representa apenas 9,5% dos funcionários que já trabalham todos os dias na Cidade Administrativa. Em outubro, esse número sobe para 16 mil, e o percentual de servidores atendidos por eles cai para 2,4%. A Cidade Administrativa possui dois salões, com capacidade total para atender a cerca de 3 mil pessoas. Ou seja: considerando que essa gente toda vai precisar almoçar, e não necessariamente o fará nas dependências da sede do governo, ainda há um espaço gigantesco à espera de boas idéias para alimentar o funcionalismo estadual mineiro.

A promotora de negócios do Instituto de Desenvolvimento Integrado de Minas Gerais (Indi), Lucille Romualdo, também frequenta o restaurante Casarão diariamente. “Venho todos os dias, aproveitando a van. Adotei o Itamar (a calopsita) e até comprei uma igual (batizado de Alfredo)”, diz.

Benefícios chegam ao entorno

Outros bares e restaurantes, um pouco mais distantes da Cidade Administrativa, também já estão sentindo a freguesia aumentar com a chegada dos servidores públicos estaduais. É o caso do Bar do Careca, o Pescador, no Floramar. Na rotina do estabelecimento, não há previsão de abrir para o almoço, mas isso vem mudando pouco a pouco, a pedido dos novos clientes. “Quando o pessoal pede, abro especialmente nesse horário durante a semana. O atendimento é exclusivo”, afirma do dono da casa, Amarildo Alves da Costa. Além disso, segundo ele, às sextas-feiras, e às vezes também às quartas e quintas, os funcionários públicos reservam mesas para um happy hour.

O movimento já garantiu uma expansão de 20% no faturamento do bar. “Acho que ainda tem potencial para crescer muito. Ao todo, serão 16 mil pessoas trabalhando lá. Estou dando uma melhorada no boteco. Vou colocar mais um banheiro, a cozinha está sendo azulejada e o teto será consertado”, diz. No Restaurante e Pizzaria do Índio, também no Floramar, a cerca de 6 km da Cidade Administrativa, os fregueses também chegam em maior quantidade desde março. “O pessoal vem geralmente na sexta-feira. O tíquete médio fica entre R$ 10 e R$ 12. Às sextas-feiras, 15% da clientela vem de lá”, calcula Sérgio Afonso Silva, gerente geral do estabelecimento.

Silva já recebeu pedidos de servidores para que colocasse um serviço de van com o objetivo de atendê-los, mas avisou a eles que não tem essa disponibilidade. “Só valeria a pena caso houvesse certeza de que um número determinado de pessoas viria almoçar aqui. O investimento para isso é muito arriscado”, justifica. Para Haroldo Santos Araújo, consultor do Sebrae, empreendedores que pensam em abrir um novo negócio, e também aqueles que já possuem um, devem aprender a ouvir os seus clientes.

“Ser empreendedor é assumir alguns riscos. A iniciativa da dona do Restaurante Casarão, Augusta Maria Soares, poderia ter dado errado, mas acabou sendo um sucesso. Existe uma diferença clássica de pontos de vista para uma mesma situação nos dois casos. No primeiro, a necessidade do cliente foi levada em consideração em primeiro lugar, ganhando mais peso do que a necessidade da empresária”, analisa.