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Aécio: educação e transformação social, coluna Folha

Aécio: ao não se inserir no mercado, toda uma geração corre o risco de não conseguir romper com ciclos de pobreza e desigualdade.

Aécio: PNAD e a realidade brasileira

Aécio: educação e transformação social, coluna Folha

Aécio: “a nossa juventude não pode mais esperar que a educação de qualidade saia do papel e das promessas.” Foto: George Gianni

Fonte: Folha de S.Paulo 

A verdadeira emancipação

Coluna de Aécio Neves

educação é a principal ferramenta da verdadeira e emancipadora transformação social que o Brasil precisa fazer.

Reduzi-la apenas a frases de efeito ou a discursos é um gesto de covardia para com milhares de brasileiros. A falta de planejamento nessa área vai custar muito caro ao país. Para milhões de jovens, o preço já está alto demais.

Os números oficiais mostram que o despreparo e a ineficácia trabalham juntos para comprometer conquistas preciosas da sociedade brasileira, como a universalização do ensino fundamental, a elevação do percentual de pessoas com mais de oito anos de estudo e a forte redução do analfabetismo, entre outros avanços iniciados no períodoItamar/Fernando Henrique. Esse quadro promissor vem sendo sistematicamente demolido.

Os números da Pnad 2012, divulgados há poucas semanas, revelam que a taxa de analfabetismo no país parou de cair e atinge 13 milhões de pessoas. Há ainda um enorme contingente de analfabetos funcionais que se encontram à margem do mercado de trabalho. De cada dez jovens entre 17 e 22 anos que não completaram o ensino fundamental, três continuam sem estudar e trabalhar. Cerca de 50% da população adulta (superior a 25 anos) não têm ensino fundamental e só 11% têm ensino superior, índice muito inferior ao recomendado por instituições internacionais.

ensino superior é uma das faces do caos no qual estamos imersos. Cerca de 30% dos cursos avaliados no último Enade foram reprovados. O compromisso de realizar dois Enems por ano acabou definitivamente arquivado. No principal ranking internacional de universidades, o Brasil ficou sem nenhuma representante entre as 200 melhores do mundo.

A inexistência de universidades competitivas diz muito sobre o país que pretendemos construir. A educação não é uma ilha isolada. Deveria estar inserida em um contexto que aposta na formação dos nossos cidadãos, em novas matrizes de produção, no incremento da inovação e no uso intensivo de tecnologias de ponta.

Aqui se instala o grande desafio a ser enfrentado: a nossa juventude não pode mais esperar que a educação de qualidade saia do papel e das promessas, da mesma forma que o país não pode continuar aguardando eternamente as condições necessárias para realizar o grande salto no seu processo de desenvolvimento.

O país que almeja conquistar um lugar de destaque no mundo precisa aumentar a sua competitividade e a autonomia da sua população. Ao não se inserir no mercado, toda uma geração corre o risco de não conseguir romper com limites hoje conhecidos, perpetuando ciclos de pobreza e desigualdade.

Essa realidade é injusta com o país. E é injusta, sobretudo, com milhões de brasileiros.

AÉCIO NEVES escreve às segundas-feiras nesta coluna.

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Gestão Anastasia: escola da Fundação João Pinheiro é destaque em artigo

Governo Anastasia, Gestão Pública, Gestão Inovadora, Empreendedorismo

Fonte:Artigo de Marina Cançado – Brasil Econômico

O projeto brasileiro de inovar a gestão

Em 2011, a empresa de tendências e inovação BOX 1824 lançou o estudo “O sonho brasileiro” sobre o Brasil e seu futuro sob o ponto de vista do jovem brasileiro de 18 a 24 anos (quase 26 milhões de brasileiros). A motivação do estudo estava relacionada com o fato de, hoje, no Brasil, existir uma combinação inédita: o país está num momento único de sua história, de grande reconhecimento nacional e internacional e a juventude é uma geração que nasceu digital e está vivendo em mundo com outra configuração.

Segundo a pesquisa, a maioria dos jovens possui como sonho coletivo relacionado ao país, a redução da violência e da corrupção, seguido de oportunidades para todos. O estudo também mostrou que mais de 50% dos jovens de hoje se conectam mais com discursos coletivos do que com individualistas.

Segundo a BOX 1824, hoje existem 2 milhões de jovens-ponte, o que corresponde a 8%dos jovens brasileiros de 18 a 24 anos. 60% desses jovens estão envolvidos em organizações ou movimentos relacionados a questões públicas. Eles acreditam em heróis reais e possuem foco no presente, na transformação do Brasil, agora, por meio de micro-revoluções, isto é, de ações inseridas no cotidiano, de projetos que aos poucos vão mudando algumas realidades. Para esses jovens, os valores capazes de guiar a transformação do país são: participação, diversidade, criatividade e diálogo.

Não podemos neste momento de combinação inédita entre as condições do país e as características e sonhos da juventude perder a oportunidade de ser o país do presente

É interessante notar que embora esses jovens tenham grande vontade de contribuir para um Brasil com oportunidades para todos, eles estão buscando caminhos alternativos fora da administração pública, do Governo e da Política. Por mais fundamentais que sejam estas outras vias, é preciso criar um ecossistema favorável para os jovens também enxergarem que há oportunidade para dentro do Governo e da Política fazer diferente e trazer os valores que prezam.

Nesse sentido, as escolas de Governo, como a João Pinheiro são peça fundamental em inspirar o jovem a ver o Governo como um caminho possível de transformação social e lhe oferecer ferramentas para cumprir este papel.

Além da importância dos cursos nesta área serem mais focados em desafios práticos, baseados em projetos e atividades de campo e não apenas na teoria, para ajudar o aluno a se inserir no setor público, as escolas de Governo devem oferecer condições para que o jovem tenha experiências, contato e canais de entrada na administração pública com equipes nas quais ele realmente possam ser desafiado e possa canalizar sua energia transformadora.

Portanto, para efetivamente concretizarem sua missão de formar gestores e lideranças públicas, o grande projeto das escolas de Governo deve ter como base a estruturação de ambientes inspiradores e atuação como facilitadoras para que seus alunos se conectem com pessoas abertas e que estão promovendo transformação, tenham acesso a comunidades de troca de experiências e sintam que não estão sozinhos, mas possuem as condições e oportunidades de realmente entrar no setor público, ocupar posições desafiadoras e melhorar a vida das pessoas pelo Governo.

* MARINA CANÇADO – Diretora e cofundadora do Instituto Tellus

Leia também: Escola modelo: Fundação João Pinheiro inova na formação de novos gestores públicos – faculdade é a melhor de Minas

Os desafios do crescimento sustentável

São Paulo, terça-feira, 03 de maio de 2011

AÉCIO NEVES

Fonte: Folha de S. Paulo

O Brasil conquistou, na primeira década deste novo século, avanços sociais e econômicos importantes.

A desigualdade de renda vem caindo em um ritmo intenso, graças ao crescimento do emprego e à expansão dos programas sociais instalados e adensados no curso de diferentes governos.

Não teríamos chegado até aqui sem acabar com a inflação, sem reestruturar as dívidas de Estados e municípios e sem estabelecer uma política consistente de geração de superavit primários.

Da mesma forma, não aproveitaríamos a crescente demanda internacional por produtos brasileiros (agrícolas, pecuários, da indústria extrativa e petrolífera, entre outros) se não tivéssemos feito as reformas dos anos 90, entre elas a privatização, que atraiu novos capitais e tecnologias, democratizou serviços e aumentou a competitividade da indústria e da agricultura nacionais.

Alcançamos, agora, um patamar em que “mais do mesmo” é insuficiente para sustentar um necessário ciclo de novos avanços.

Há importantes desafios a serem vencidos e uma nova agenda a ser enfrentada. O primeiro deles, de médio prazo, que perpassa todos os demais, é recorrente: precisamos melhorar a qualidade da educação básica no Brasil.

É inconcebível que o destino de uma criança seja ainda determinado pelo local do seu nascimento e pela condição de renda da sua família. O amplo acesso à educação de boa qualidade é o único caminho para a transformação social, para a maior distribuição de renda e de oportunidades.

Nosso segundo desafio é fazer a reforma tributária. A sociedade não aceita mais a abusiva carga de impostos sobre assalariados e a produção e, na esfera dos Estados, a perversa guerra fiscal, que coloca em lados opostos aqueles que deveriam ser parceiros do processo de desenvolvimento.

O Brasil precisa reduzir o número de impostos, desonerar as exportações e o investimento produtivo, reduzir contribuições que incidem na folha de salários, melhorar a progressividade da arrecadação e rediscutir a repartição de recursos entre as esferas de governo.

Nosso terceiro desafio imediato é a redução gradual do gasto público, para que o Estado possa aumentar o investimento e avançar na agenda de desoneração tributária já mencionada.

No modelo atual, os gastos públicos mais relevantes estão sendo financiados pelo crescimento da carga tributária ou por um endividamento crescente do Tesouro Nacional, emblematicamente simbolizado pelos repasses de mais de R$ 300 bilhões para o BNDES financiar obras públicas e privadas.

Nosso quarto desafio é a reforma do Estado. Não a incluo entre as nossas prioridades por mera preocupação fiscalista, mas para estabelecer mecanismos permanentes de avaliação da eficiência de políticas públicas, análise de custos e benefícios e melhoria da produtividade do setor público.

Sem esses instrumentos, os recursos já escassos tornam-se ainda mais insuficientes, gerando mais demanda por mais impostos ou saídas estranhas, como a chamada “contabilidade criativa”.

Minas Gerais, assim como alguns outros Estados, nos mostra que a boa governança é o primeiro degrau para a superação do atraso social que vivemos, sem recorrer à sanha arrecadatória.

Acredito que esses são os primeiros itens da ampla agenda de trabalho a que precisamos responder para nos habilitarmos a uma trajetória de crescimento verdadeiramente sustentável. Fazer avançar essa agenda, com os olhos voltados para o futuro, nos exigirá escolhas difíceis e um profundo debate de propostas que o governo já deveria ter enviado ao Congresso Nacional.

Os sinais na economia são claros.

Até quando vamos esperar?

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AÉCIO NEVES, economista, é senador pelo PSDB-MG. Foi governador de Minas Gerais (2003-2010), deputado federal pelo PMDB-MG (1987-1991), pelo PSDB-MG (1991-2002) e presidente da Câmara dos Deputados (2001-2002).  Link para o original (assinantes): http://www1.folha.uol.com.br/fsp/opiniao/fz0305201107.htm

Link para site Senador Aécio Nenves http://www.aecioneves.net.br/2011/05/artigo-de-aecio-neves-sobre-crescimento-sustentavel-na-folha-de-s-paulo/