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São João Del Rei: Maria Estela Kubitschek presta homenagem a Aécio

Filha de Juscelino Kubitschek, Maria Estela Kubitschek, prestou homenagem a Aécio e leu carta de apoio ao ex-governador de Minas.

Aécio Neves: eleições 2014

Fonte: Jogo do Poder

Carta a Aécio Neves – Maria Estela Kubitschek

presidente do PSDBsenador Aécio Neves (MG), visitou nessa sexta (13/06), a cidade de São João del Rei, dando início à caminhada para a convenção nacional do partido, que será realizada amanhã, em São Paulo, e o indicará candidato à Presidência da RepúblicaAécio Neves se encontrou nesta amanhã com sua família e amigos na residência onde viveu seu avô, o ex-presidente Tancredo Neves. Assim, Aécio repete o gesto de Tancredo, que visitava a cidade antes das grandes decisões.

A filha do ex-presidente da República Juscelino KubitschekMaria Estela Kubitschek, prestou homenagem a Aécio e leu carta de apoio e estímulo ao ex-governador de Minas.

Em respeito à legislação eleitoral, o senador Aécio Neves não discursou, fez apenas uma saudação pessoal aos amigos presentes.

Segue abaixo íntegra da carta de Maria Estela Kubitschek entregue ao senador Aécio Neves.

“Querido amigo, Senador Aécio Neves

Há 30 anos, Tancredo partiu de Minas, viajou por todo o Brasil, fazendo sua obstinada pregação em defesa da democracia e da justiça.

Cerca de trinta anos antes, outro mineiro, meu pai, Juscelino, ousou olhar para um futuro em que poucos acreditavam, e nos legou o grande e decisivo salto na direção da modernidade.

Ao que parece, de 30 em 30 anos, o espírito de Minas, de que nos falava Drummond, visita as razões da nacionalidade, para oferecer ao Brasil o que temos de melhor:

Nossa coragem;

Nossa sede de justiça;

Nosso compromisso com a construção um país íntegro e generoso, capaz de abrigar os sonhos de cada um dos brasileiros.

Mais uma vez, hoje, 30 anos depois de 1984, a história se repete.

Hoje, Aécio, depositamos em suas mãos limpas nossa confiança e nossa esperança, de que finalmente poderemos realizar o Brasil  que tantas vezes foi sonhado pelos nossos e que ainda permanece intocado.

Segue em frente, senador!

Com os compromissos e princípios que um dia orientaram os passos de Tancredo

Com a ousadia, a coragem e o inconformismo de meu pai, Juscelino.

Vamos fazer cumprir o destino.

Segue em frente, Aécio!

Com a bênção das montanhas de Minas,

Com a bênção de milhões de mineiros,

Segue em frente, Aécio!

Com Minas, pelo Brasil!

Maria Estela Kubitschek Lopes”

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Governo de Minas: Seminário debate investimentos japoneses no Brasil e em Minas Gerais

Objetivo é oferecer aos brasileiros conhecimentos que permitam ampliar capacidade e qualidade de atendimento a potenciais investidores

José Carlos Paiva/Imprensa MG
Eduardo Celino, José Frederico Álvares, Satoshi Murosawa e Guilherme Velloso Leão
Eduardo Celino, José Frederico Álvares, Satoshi Murosawa e Guilherme Velloso Leão

Principal destino dos investimentos japoneses no Brasil, Minas Gerais sedia, até esta sexta-feira (23), o 3º Seminário de Capacitação em Atração de Investimentos: A Experiência Japonesa. O objetivo do evento é oferecer aos técnicos das secretarias estaduais de Desenvolvimento, Indústria e Comércio conhecimentos que permitam ampliar a capacidade e qualidade de atendimento a potenciais investidores. Especificamente, a cooperação com a Agência de Cooperação Internacional do Japão (Jica) busca apresentar aos estados brasileiros elementos da experiência governamental japonesa em atração de investimentos.

A abertura do seminário foi realizada no Auditório Juscelino Kubitschek, na Cidade Administrativa Presidente Tancredo Neves. Além de representantes de todos os estados, o seminário reúne o representante chefe da Jica no Brasil, Satoshi Murosawa; o representante da Rede Nacional de Informações sobre o Investimento (Renai)/MDIC, Eduardo André de Brito Celino; e o presidente do Instituto de Desenvolvimento Integrado de Minas Gerais (Indi), José Frederico Álvares, que abriu os trabalhos destacando que “vivemos em um ambiente extremamente competitivo em termos de atração de investimentos no Brasil. O país alcançou um volume recorde de investimentos estrangeiros diretos em 2011, mas precisamos estar preparados para atuar neste novo ambiente de negócios”.

Já Satoshi Murosawa afirmou que “até o início da década de 80, as empresas japonesas tinham atuação forte no Brasil, mas essa participação se reduziu devido às sucessivas crises econômicas no país. A realização deste seminário ocorre em um momento bastante oportuno, em que a economia brasileira está crescendo e voltou a atrair investimentos”, enfatizou.

Prioridades

A programação teve início com a palestra do diretor do Departamento de Indústrias Intensivas em Mão de Obra e Recursos Naturais do Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior (MDIC), Marcos Otávio Bezerra Prates. Ele apresentou as prioridades do plano industrial brasileiro denominado Plano Brasil Maior, cujo objetivo é melhorar o ambiente de negócios no país, além de intensificar a progressão tecnológica da indústria de transformação e de incentivar o investimento com estudos para promover a desoneração tributária e da folha de pagamentos.

Já Ryo Ishiguro, da Jica, citou os principais investimentos feitos em Minas Gerais e falou das possibilidades de cooperação técnica e financeira com os estados brasileiros.

Investimentos japoneses

Dados do Renai indicam que os investimentos japoneses anunciados no Brasil, no período de 2004 a fevereiro de 2012, registraram o valor de US$ 51,6 bilhões, em um total de 213 projetos. Por unidade da federação, o Estado de Minas Gerais se destaca como principal destino dos investimentos japoneses anunciados, em valor, representando 40,8% do total previsto (US$ 21 bilhões). Os principais subsetores contemplados em Minas foram metalurgia (US$ 13,9 bilhões); papel e celulose (US$ 2,8 bilhões); minerais metálicos (US$ 2,1 bilhões); e borracha e plástico (US$ 2 bilhões).

Grandes grupos japoneses dominam ou participam do controle acionário de empresas líderes nos setores de mineração (Mitsui controla 15% das ações da Vale), siderurgia (Nippon Steel e Sumitomo têm participação acionária na Usiminas) e papel e celulose (a Cenibra é controlada pela holding Japan Brazil Paper and Pulp Resources Development, formada por várias empresas japonesas, entre as quais a Oji Paper, a Itochu e a Nippon Paper).

Segundo o Banco Central, em 2011, o Japão foi o 4º maior país investidor, com aproximadamente US$ 7,536 bilhões investidos (10,8% do total). Dados de janeiro de 2012 mostram que os investimentos japoneses atingiram o volume de US$ 301 milhões (5,6% do total – 6º maior investidor no Brasil no mês de janeiro).

Programação

Além de participar do seminário, os participantes aproveitaram para conhecer a Cidade Administrativa, quando visitaram também as instalações da Secretaria de Estado de Desenvolvimento Econômico (Sede) e do Indi.

A programação da quarta-feira continuou com a apresentação do perito da Jica, Teiji Sakurai, sobre o Processo de atração de investimentos. Sakurai falou sobre estratégia para atração de investimento, incentivo à exportação, investimento das empresas japonesas no Brasil e as dificuldades das empresas japonesas e estrangeiras. Mostrou ainda os países bem sucedidos em atração de investimentos e como atrair as missões estrangeiras para o seu Estado, assim como a metodologia para receber missões estrangeiras e falou também sobre os brasileiros e os chineses.

O seminário prossegue, nesta quinta-feira (22), no Banco de Desenvolvimento de Minas Gerais (BDMG). Estarão em debate temas como Experiência brasileira em atração de investimentos: Minas Fácil, Experiência brasileira em atração de investimentos: missões internacionais e Projeto Forte (Fiemg), Experiência brasileira em atração de investimentos: Indi.

Na sexta-feira (23), a programação será encerrada pela Jica, com o tema da atração de investimentos. Teiji Sakurai falará sobre Classificação da Associação Mundial das Agências de Promoção de Investimentos; Conteúdo da Associação Mundial das Agências de Promoção de Investimentos; Introdução às atividades das Agências de atração de investimentos da Ásia; e fará recomendações ao Brasil.

Parceria

O evento é promovido pela Rede Nacional de Informações sobre o Investimento (Renai), pela Agência de Cooperação Internacional do Japão, pela Secretaria de Estado de Desenvolvimento Econômico de Minas Gerais e pelo Instituto de Desenvolvimento Integrado de Minas Gerais (Indi). A parceria é da Federação das Indústrias de Minas Gerais (Fiemg) e da Japan External Trade Organization (Jetro).

A Renai é o órgão da Secretaria de Desenvolvimento da Produção do MDIC que trabalha com o objetivo de fornecer ao potencial investidor informações úteis ao processo de tomada de decisão, apoiar as estruturas federais e estaduais no desenvolvimento de atividades voltadas à promoção de inversões produtivas e articular medidas de facilitação a novos empreendimentos no país.

Fonte: http://www.agenciaminas.mg.gov.br/noticias/seminario-debate-investimentos-japoneses-no-brasil-e-em-minas-gerais/

Governo de Minas: grupo mineiro trabalha a inovação do design em peças de cerâmica

Trabalho experimental busca agregar valor histórico-cultural da região de Diamantina nas peças
Divulgação/Sectes
Catadoras de Sempre Viva
Catadoras de Sempre Viva

Diamantina, antigo Arraial do Tijuco, no Vale do Jequitinhonha, é a terra dos desbravadores de diamantes, da seresta e da Vesperata, apreciada por personagens curiosos e filhos ilustres – como Juscelino Kubitschek e a escrava que virou rainha, Chica da Silva –, e que se tornou um destino cultural e turístico obrigatório em todo o país. Resgatar essa forte cultura, retratá-la e transformá-la em arte através das mãos, com inovadoras possibilidades, foi o principal desafio de um grupo de artesãos que trabalha com cerâmica na região.

Essa é a proposta do projeto “Terra Queimada”, desenvolvido pelo Governo de Minas, por meio da Secretaria de Estado de Ciência, Tecnologia e Ensino Superior (Sectes), que deseja incrementar a cultura ceramista local na busca da sustentabilidade, utilizando da inserção dos valores que constituem a identidade histórica, cultural e ambiental da região.

Criado em 2008, o projeto é integrado ao Polo de Inovação da Sectes, em parceria com o Laboratório de Turismo e Artesanato do Centro Vocacional Tecnológico (CVT) de Diamantina, para estimular a produção associada ao turismo, visando à criação de um artesanato original que fortalecesse a cultura ceramista no município. Como resultado expressivo no ano de 2009, o Laboratório de Turismo e Artesanato do CVT conseguiu identificar e montar um grupo de artesãos com aptidão para a cerâmica e, assim, iniciar a parte mais aplicada do projeto. Até hoje, o Polo de Diamantina liberou R$ 27 mil para o projeto.

Na primeira etapa do processo foi realizada a seleção e depois a qualificação dos oito ceramistas do grupo de produção, a fim de aprimorar o desenvolvimento das peças. O objetivo específico da etapa inicial é fazer com que os ceramistas sejam multiplicadores desta cadeia produtiva na região de Diamantina para que, em um futuro próximo, essa atividade possa ser inserida no mercado turístico local, gerando trabalho e renda.

Público alvo

O aperfeiçoamento do design e da identidade visual realçou, de forma incisiva, o elo entre a produção e o turismo. Um dos resultados finais desse trabalho relaciona-se à definição do grupo de produção a partir do entendimento real das expectativas do público alvo para a aquisição das peças: os clientes.

Assim, foram delineados os perfis principais dos turistas que visitam a cidade, para os quais a identidade histórica e cultural de Diamantina se torna um dos principais atrativos para a aquisição do produto.

Outra avaliação refere-se à matéria prima utilizada na fabricação das peças – a argila – e em como as peças devem ser pensadas de forma funcional para o uso diário, sendo mais do que decorativas.

Como fruto do trabalho experimental, o grupo criou várias ferramentas de trabalho, tais como o forno a gás, reaproveitando a estrutura de uma geladeira; o torno com componentes de um tanquinho; dentre outros, cumprindo a ação inicial proposta pelo Polo de Inovação, ao propiciar a autonomia do artesão para ser capaz de transformar a sua história em arte, qualificar e agregar valores à produção artesanal, como estratégia e oportunidade de mercado.

Contudo, a cerâmica a ser desenvolvida terá identidade própria, se diferindo de outras regiões. O produto final irá ostentar no seu design a marca ou o registro cultural de Diamantina, por meio dos elementos que nelas estarão inseridos.

Produção aprovada

Desde o início da produção das peças, os artesãos já criaram várias, todas com a aplicação de um design diferenciado, buscando sempre representar a cultura local. Os itens criados e já validados são:

Catadoras de Sempre Viva– A aplicação do design para a evolução do produto, buscando novos personagens da cultura local, dando movimento às peças – pontos a observar desse movimento, saia rodada frisada, posicionamento dos braços – com dimensionamentos menores e destaque para as pigmentações naturais, diferenciando as vestimentas do corpo.

A Chica da Silva– O design estudado para a peça foi o de utilizar um segmento artesanal já consagrado como “as namoradeiras”.  A inovação da peça valoriza uma figura da história local e nacional, tornando-a única como referência de uma região.

Cultura primitiva– Inovação do design para essa produção foi construir uma peça que realçasse o conjunto das figuras marcantes da ceramista, ao invés de colocar peças isoladas, solitárias. Assim, elaborou um criativo móbile, dando leveza e funcionalidade à peça.

Bijuterias– O design buscou valorizar a peça com a introdução de material nobre na sustentação, optando-se pelo couro encerado com forte tendência do mercado. Como aprimoramento do acabamento final, incluíram-se os fechos.

A cultura musical– O design buscou criar um mix de produtos com embalagem que busca valorizar a peça. Um dos exemplos é o conjunto de notas musicais. Também buscou novo dimensionamento, capaz de realçar as notas musicais, dispostas de forma real, como numa introdução de uma música de seresta tradicional de Diamantina.

Luminárias– Para sua criação, o design se preocupou em  melhorar a funcionalidade das peças com dimensionamentos adequados para as instalações elétricas e com opções de uso em parede e chão.

Vasos– Neles, o profissional agregou novas possibilidades, utilizando-se da versatilidade das peças geométricas com a linha de produto ou como modernos castiçais.

O patrimônio histórico– Nesse aspecto, buscou-se reforçar a valorização do patrimônio histórico da cidade, reproduzindo o chafariz existente em Diamantina, adicionando a funcionalidade à peça, como um porta-chaves, onde se percebe os furos para encaixar as estruturas que sustentarão as chaves.

A pinha– O design buscou dar funcionalidade à peça, acrescentado uma base à pinha, a fim de que a peça se torne um charmoso peso de papel.

Fonte: Agência Minas

Aécio Neves presta homenagem aos 104 anos de Oscar Niemeyer

Fonte: Artigo de Aécio Neves – Folha de S.Paulo

Niemeyer

Tenho o privilégio de conhecer Oscar Niemeyer e tive a felicidade de, quando governador, levar de volta a Belo Horizonte seu legendário traço e seu extraordinário talento, eternizados na realidade que é hoje a Cidade Administrativa, sede do governo de Minas, onde trabalham 16 mil servidores do Estado.

O reencontro de Niemeyer com Belo Horizonte teve, para muitos de nós, o sentido de um reatamento amoroso. E daqueles que valem a pena. Foi na ainda acanhada capital mineira dos anos 40 que o jovem arquiteto começou a dar vazão ao seu potencial de artista muito à frente de seu tempo.

Sob a égide de Juscelino Kubitschek, o arquiteto novato concebeu -dizem que num pequeno quarto de hotel- o magistral conjunto modernista da Pampulha, que marcou para sempre a identidade da capital de Minas.

Daí floresceria a profícua parceria que produziu outro monumento ao futuro: Brasília. Dois visionários, Juscelino e Niemeyer. De gente assim carece sempre uma nação que pretende ser grande.

Niemeyer é uma das nossas raríssimas unanimidades: diferentes gerações de mineiros e brasileiros guardam por ele um afeto incondicional.

Aos 104 anos, completados na última quinta-feira, mestre Oscar -ele insiste na informalidade do primeiro nome-continua ativo. É dono de um humor invencível e de uma alegria de viver que se renova, para os amigos, num permanente festival de surpresas.

Há pouco tempo, ele decidiu enveredar por nova experiência: a de cantor. A vida de Niemeyer guarda importante lição para muitos de nós.

Somos, de certa forma, reféns do dia a dia. Nem sempre nos sobram tempo e disposição para romper com o cotidiano e vislumbrar o que se descortina à nossa frente. Encastelados no território confortável do presente, nos assalta, muitas vezes, a perplexidade do futuro.

Diante de tantos desafios, acabamos correndo o risco de nos rendermos às dificuldades, quando deveríamos, sempre, transformar o nosso inconformismo em ousadia. São personagens como Oscar Niemeyer, mensageiros da utopia, que nos ensinam, de forma didática, diariamente, minuciosamente, a compreender os sobressaltos da modernidade.

Nosso arquiteto-símbolo captou a essência do Brasil em seu desenho sinuoso, com citações de silhuetas femininas e de estruturas tão leves que parecem se equilibrar sob as nuvens -inimigo declarado que sempre foi da linearidade cartesiana. A diferenciação de sua obra o tornou único e elevou o Brasil a um novo patamar no mundo da arquitetura.

Leio que Oscar brinca que “104 anos ou 80 é a mesma coisa para quem gostaria de ter 20″. A verdade é que, aos 104, ele tem a intensidade dos 20. Continua sendo um homem de muitas paixões: a maior delas, o povo brasileiro.

AÉCIO NEVESescreve às segundas-feiras nesta coluna.

Augusto Nunes em artigo – Trancredo, a Travessia: “Há apenas 25 anos, sobrava gente que debatia ideias, defendia programas e não estava à venda. Os corruptos não chegavam tão facilmente ao ministério”, comentou

Ética, conciliação política 

 Fonte: Coluna do Augusto Nunes – Veja Online

A falta que um Tancredo faz

“No grande viveiro de desmemoriados vocacionais e amnésicos por conveniência, que a cada 15 anos esquecem o que aconteceu nos 15 anteriores, merece ser saudado com tambores e clarins um documentário que trata a verdade com gentileza e conta o caso como o caso foi”

Nas cenas finais de Tancredo, a Travessia, quem conhece razoavelmente o personagem acha que ficou faltando alguma coisa. Tal sensação poderia ser dissolvida, ou pelo menos abrandada, por uma tarja que, sublinhando as comoventes imagens de abertura, exibisse a advertência necessária: Tancredo Neves não cabe em 105 minutos. Essa é a duração do documentário que estreou nesta quinta-feira nas salas de cinema. Enquanto acompanha passo a passo a caminhada de um PhD em política que viveu como protagonista os episódios mais dramáticos ocorridos entre 1954 e 1985, o diretor Sílvio Tendler procura capturar-lhe a essência do pensamento e as características que forjaram o estilo incomparável. É muito assunto para pouco mais de uma hora e meia.

E é muita história para uma vida só. Ministro da Justiça em agosto de 1954, Tancredo primeiro usou o talento de conciliador para tentar conter a cólera dos inimigos de Getúlio Vargas. Na última reunião do ministério, mostrou a valentia que nunca lhe faltou ao defender a resistência armada aos militares sublevados. Consumada a tragédia, pronunciou um discurso feroz à beira da sepultura do grande suicida. Em 1961, depois da renúncia de Jânio Quadros, o candidato derrotado ao governo de Minas Gerais negociou o acordo entre o vice João Goulart e os generais conservadores que instituiu o parlamentarismo. Emergiu da crise como primeiro-ministro do novo regime.

Em 1964, líder do governo de Jango na Câmara, Tancredo fez o que pôde para evitar o golpe de Estado. Derrotado, ajudou a fundar o MDB oposicionista e seguiu demonstrando que a prudência e a coragem podem e devem andar de mãos dadas. Amigo de Juscelino Kubitschek, cassado em junho, acompanhou o ex-presidente nos humilhantes depoimentos em tribunais militares. Em 1976, voltou ao cemitério de São Borja para despedir-se de Jango, que não pôde ser sepultado com honras de chefe de Estado, com ataques frontais ao governo autoritário.

Em 1983, engajou-se sem ilusões na campanha pela volta das eleições presidenciais diretas, que qualificou de “lírica”  não por desconhecer a importânica da mobilização popular, mas por conhecer bem demais o Congresso. Convencido de que a sucessão do general João Figueireido não seria decidida nas urnas, tratou de tecer desde o começo de 1984 as complicadas alianças que, em janeiro do ano seguinte, garantiram  a vitória sobre o candidato governista  Paulo Maluf  no Colégio Eleitoral. Entre o início das operações de bastidores e o triunfo, Tancredo colocou em prática as lições que resumia numa metáfora fluvial: “Não se tira o sapato antes de chegar à margem do rio. Mas não se vai ao Rubicão para pescar”.

Esperou até a 25ª hora para formalizar a candidatura e deixar o governo de Minas. Chegara à margem do rio. E então partiu para a travessia do seu Rubicão — o rio que todo guerreiro tinha de cruzar para lançar-se à conquista de Roma. Conseguiu o apoio de todas as vertentes da oposição, com exceção do PT. (O detentor do monopólio da ética se negou a votar no candidato da nação e expulsou os três deputados que descumpriram a ordem. Lula achou que Tancredo não merecia confiança também por ter como vice um José Sarney. Hoje amigos de infância, Sarney e Lula são reduzidos a uma dupla de pigmeus oportunistas pela grandeza do presidente que poderia ter sido e não foi).

Na etapa seguinte, Tancredo atraiu dois terços do PDS e isolou Maluf. Como se disputasse uma eleição direta, liderou comícios monumentais em várias cidades brasileiras. Já era um campeão de popularidade quando pronunciou o belo discurso da vitória. Surpreendido pela cirurgia inadiável na véspera da posse em 15 de março, agonizou até 21 de abril, quando deixou a vida para entrar no imaginário popular como herói nacional.

Cada uma das tantas versões de Tancredo vale um livro, cada episódio que protagonizou vale um filme. Como foram todos agrupados num único documentário, é inevitável que certos trechos pareçam rasos demais, incompletos ou de difícil compreensão. A memória nacional sairia ganhando se, por exemplo, fossem incorporadas mais informações ao trecho reservado às restrições feitas por chefes militares ao candidato do MDB. Até render-se aos fatos, o presidente Figueiredo vivia recitando a expressão  “Tancredo never”. Preocupado com as reações da linha dura, o candidato montou em segredo um plano para reagir a um eventual golpe fardado. O excesso de cautela aconselhou Tancredo a ocultar as dores que prenuciaram o drama. Ele achava que os quartéis não admitiriam a posse do vice José Sarney.

Feitas as ressalvas, convém deixar claro que o que parece pouco aos olhos de cinquentões bem informados é mais que suficiente para permitir a quem tem menos de 30 uma pedagógica viagem, conduzida por Tancredo, pelo turbulento Brasil da segunda metade do século 20. No grande viveiro de desmemoriados vocacionais e amnésicos por conveniência, que a cada 15 anos esquecem o que aconteceu nos 15 anteriores, merece ser saudado com tambores e clarins um documentário que trata a verdade com gentileza e conta o caso como o caso foi.

É irrelevante saber se será anexado aos trunfos eleitorais do senador Aécio Neves. Se fosse neto de um avô assim, Tancredo Neves agiria da mesma forma. E pouco importa constatar que a câmera não esconde a admiração pelo personagem. Esse mineiro de São João del Rei que fez da conciliação política uma forma de arte, esteve sempre do lado certo e só depois de morto subiu a rampa do Palácio do Planalto é, decididamente, um estadista admirável.

Outros documentários completarão o painel esboçado pelo retrato pintado por Tendler ─ e concluído na hora certa. Milhões de brasileiros poderão constatar que, há apenas 25 anos, sobrava gente que debatia ideias, defendia programas e não estava à venda. Os corruptos não chegavam tão facilmente ao ministério. A Era da Mediocridade ainda era só um brilho no olhar guloso de Lula e seus devotos. As imagens mostram um José Sarney constrangido, deslocado, consciente da condição de intruso. Virou presidente graças aos micróbios do Hospital de Base de Brasília e à incompetência dos médicos, que se uniram para castigar o Brasil com a perversidade brilhantemente condensada na frase do jornalista Carlos Brickmann: “Sair de Tancredo para cair em Sarney é, definitivamente, encontrar um túnel no fim da luz”.

Link do artigo: http://veja.abril.com.br/blog/augusto-nunes/direto-ao-ponto/a-falta-que-um-tancredo-faz/