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Governo de Minas: Estádio Independência homenageia torcedores de 1950

O grupo de torcedores teve a oportunidade de caminhar pelas arquibancadas e pelo gramado do novo estádio

Bruno Sales/Secopa MG
Torcedores revivem a emoção do Mundial de 1950 no Independência
Torcedores revivem a emoção do Mundial de 1950 no Independência

A história do Estádio Independência registrou um capítulo emocionante, nesta quarta-feira (14), com a visita ao estádio de dez torcedores que lá assistiram aos jogos da Copa de 1950. O Independência, que foi construído para o Mundial de 1950, foi palco de três partidas durante a competição. Uma delas, Estados Unidos versus Inglaterra, foi emblemática, já que os norte-americanos venceram os favoritos ingleses, tornando-se assim uma das maiores zebras do futebol mundial.

O grupo de torcedores teve a oportunidade de caminhar pelas arquibancadas e pelo gramado do novo estádio. Ainda receberam foto personalizada e autografaram uma camisa da Seleção Brasileira. Um dos momentos mais emocionantes da manhã foi a chegada ao local do advogado aposentado Salvador Velloso, de 78 anos. Por causa de uma deficiência física, ele foi levado até lá em uma maca do Corpo de Bombeiros. “Não poderia faltar. Estava muito ansioso para conhecer o novo estádio. Estou impressionado com a mudança. Cheguei a ver dois dos três jogos da Copa de 1950. Era um menino na época. Paguei porque tinha curiosidade de ver um time mítico, a Inglaterra. Deu no que deu”, lembra Velloso, vítima de poliomielite.

Outro personagem dessa crônica esportiva é o jornalista Márcio Rubens Prado, o Marcinho, natural de São Miguel y Almas de Guanhães (antigo nome da cidade de Guanhães, no Leste do Estado), como gosta de frisar. Americano convicto, tem na ponta da língua números e datas sobre a história de seu estádio preferido. “A única exigência da Fifa naquela época era que os três jogos da Copa rendessem 1,5 milhão de cruzeiros, o equivalente na época a U$S 75 mil. Como renderam US$ 38 mil, a prefeitura teve que completar o resto”, conta.

Segundo o cronista, redator, copidesque, editor e âncora, a seleção inglesa não deixou boas lembranças. “Eles resolveram se hospedar numa instalação da Mina do Morro Velho e se recusaram a visitar a Lagoa da Pampulha, como fizeram as outras seleções. Ficavam enfurnados lá em Nova Lima e não deram entrevista para ninguém. Não quiseram nem treinar antes da partida fatídica. Estavam convictos da vitória”, critica. O jornalista lembra que um jornal britânico chegou a publicar o placar Inglaterra 10 x 0 Estados Unidos. “A redação achou que era erro de digitação e fez essa barbaridade”, diverte-se.

 

Outro foco de atenção da manhã foi a presença do aposentado Elmo Cordeiro, 77 anos. Ele diz ter sido o gandula da maior zebra da história. “Eu fiquei atrás do gol da Inglaterra, pegando as bolas que saíam. Os ingleses atacaram muito, mas não marcaram. Daí, em um deslize da defesa inglesa, um haitiano marcou para os Estados Unidos. O estádio estava cheio e o pessoal torcia mesmo para os Estados Unidos. A Inglaterra gerou uma certa antipatia na cidade”, comenta.

História e modernidade

O secretário de Estado Extraordinário da Copa, Sergio Barroso, se emocionou com os relatos do grupo. “Foi um encontro da história com a modernidade. Esses torcedores são testemunhas de um período importante da história do estádio e do futebol. A Copa de 1950 foi o pontapé inicial da exposição do futebol mineiro para o mundo”, diz o anfitrião da homenagem.

Durante a visita, o advogado Afonso Celso Raso, presidente do conselho administrativo do América, também reviu amigos, relembrou histórias e reforçou a importância do estádio. “Fico emocionado de rever esses torcedores do clube porque o Independência é a casa do América para uso do esporte mineiro”, registrou.

Fonte: Agência Minas