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Luciano Pires diz que votará em Aécio Neves

Texto do escritor e palastrante motivacional faz um reflexão sobre a campanha presidencial e porquê vai votar em Aécio Neves.

Eleições 2014

Fonte: Página no Facebook de Luciano Pires 

Em quem vou votar pra presidente? É hora de me posicionar com clareza, esperando que nenhuma surpresa ocorra até as eleições. Não tenho aqui a intenção de convencer ninguém, a função deste texto é exclusivamente me posicionar para que quem me lê saiba qual lado defendo.

Tenho acompanhado atentamente cada movimento dos candidatos e esperei até assistir ao menos dois debates para ver se algo diferente surgia. Enquanto o PT não acertar um míssil em Marina, o que temos para agora é isso aí mesmo: AécioDilma e Marina são os três com chances de competir. Então não custa definir. Vamos lá.

1. Vou começar pelo mais fácil: meu imperativo categórico é tirar o PT do poder, o que significa que a decisão já tomada é que, num eventual segundo turno Dilma e mais um, meu voto será do mais um, não importa quem seja.

– Luciano, mas que obsessão é essa contra o PT?

Bem, tomei contato com o DNA do PT em 1979, antes do partido nascer. Naquela época eu estava no movimento estudantil em São Paulo, participando de passeatas pela volta do irmão do Henfil, pela anistia ampla, geral e irrestrita. Participei de algumas “plenárias” com presença de representantes de sindicatos, inclusive dos metalúrgicos. Minha antipatia nasceu quando percebi que a tal “política sindical” resumia-se a uma frase:

– Ah, não concorda com nossos argumentos? Não tem problema, vamos quebrar seu braço.

Ali percebi a truculência, o vale tudo, o “tudo bem se me convém” do DNA sindical do PT e que se revelou na plenitude (embora exista quem não consiga enxergar) assim que o partido assumiu o poder. Para encurtar, empresto umas palavras de uma eminente representante da inteligência petista para explicitar minha posição com relação ao PT:

Porque sou contra o PT? Não é só por razões teóricas e políticas. É porque eu odeio o PT. O PT é o atraso de vida, o PT é a estupidez. É o que tem de reacionário, conservador, ignorante, petulante, terrorista. O PT é uma abominação política, porque ele é fascista. Ele é uma abominação ética porque ele é violento. E ele é uma abominação cognitiva porque é ignorante. Fim.

Faltaram uns atributos como mentiroso, dissimulado, etc, mas o desabafo da dona Marilena tá de bom tamanho.

Portanto, para o bem do Brasil, fora PT!

2. Quando Eduardo Campos estava no jogo, em alguns momentos cheguei a pensar num voto simbólico no primeiro turno para dar peso ao candidato que eu sabia que não iria para o segundo turno. Os outros? Luciana Genro escapou do Jurassic Park, o Eduardo do PV parece o Suplicy com um parafuso a mais. Solto. O Levi.. bem, quero saber que tinta ele usa no bigode. E cheguei a ficar curioso com o pastor até ele dizer “seje” e “estrupa”.

E aí caiu o avião.

3. Vamos então ver Aécio. Infelizmente o PSDB, com sua social democracia esculhambada, é um partido de esquerda (já expliquei isso anteriormente), curiosamente com uma profunda dificuldade de falar ao povo, repleto de inimigos internos que se fingem de amigos, preocupado em parecer certinho, bonitinho, bonzinho, e certamente com rabo preso em maracutaias como todos os outros partidos. Não tem santos. Só essa pode ser a explicação para sua frouxidão ao não botar a boca no trombone cumprindo o papel de oposição que deveria ter aprendido com o PT. É um ajuntamento político e, analisando seu comportamento eleitoral, posso recitar sem medo uma frase que adoro: “Ninguém é tão burro quanto a soma de todos nós.”

Os tucanos são péssimos em comunicação, o que seria resolvido se contratassem o marqueteiro do PT para aprender a explicar para o povo o que fizeram e o que ainda precisa ser feito.

O que me mantém na direção do PSDB com Aécio (como seria se fosse Serra, Alckmin ou qualquer outro medalhão do partido) é que, diferente do PT, eles têm gente inteligente e competente do ponto de vista da gestão, inclusive alguns dos responsáveis pelo Plano Real, gente que sabe diagnosticar os problemas e que conhece as soluções. Não têm a mente emburrecida por ideologias jurássicas e não tratam corruptos como heróis. O PSDB não faz parte do Foro de São Paulo e, quando tenta me tratar como idiota, parece idiota. E o Aécio, quando mente, ao menos fica vermelho…

Minha preocupação: se Aécio ganhar o PT incendeia o Brasil no dia seguinte. Teremos pelo menos 4 anos de conflitos sociais sérios (se não acabar antes… o PT já esteve na linha de frente que “impichou” um) . E o bicho vai pegar na tentativa de criar uma situação caótica que só será superada com a chegada do Redentor em 2018. A perspectiva é apavorante, custará caro, mas – aproveitando a estréia de Hércules nos cinemas – quanto mais demorar para enfrentar a Hidra, mais forte ela fica.

Pensando progressivamente com uma “política de redução de danos”, concluo que o PSDB, trará menos mal ao Brasil que a permanência do PT.

Mas… e Marina?

4. Bem, Marina tem um vício de origem: também vem de política sindical. É membro fundadora do PT, participou durante anos do governo que agora ataca, está usando um partido para se eleger e o cuspirá fora na primeira oportunidade, tem afinidades superficiais com seus companheiros de campanha, tem uma conversa difícil de entender e repleta de chavões progressistas de quem acha que sabe o sentido da vida. (hoje no debate ela usou até o “ponto futuro” do saudoso Cláudio Coutinho. Não sabe o que é? Google). Não gosto dessa coisa messiânica ungida pelos deuses, da postura carola, do papo de povos da floresta. É autoritária, o que até poderia ser um atributo bom se o tal progressismo não fosse sua bíblia. É, em suma, uma representante da velha política com xale novo, só isso. E tem uma estrelinha vermelha no coração. Temo que ela corra para o abraço à primeira lágrima de crocodilo do Redentor.

Apesar do palavrório ininteligível, talvez por causa da postura messiânica, da origem humilde que a equipara a Lula e da figura frágil de santa penitente, tem grande empatia popular e fala coisas que o povo quer ouvir. Mas como quer ouvir, se não entende? Bem, sabe quando você vai à igreja ou templo e o padre ou pastor lê aquelas longas passagens bíblicas, absolutamente ininteligíveis, e o povo permanece contrito e respeitoso? Pois é. Muita gente não precisa compreender pra imaginar que tem algo de santo sendo dito lá. Assim é Marina.

Ela tem na equipe os Capilés da vida, gente perigosíssima, mas tem gente muito boa também, alguns até admiráveis, o que aumenta minha desconfiança de que é questão de tempo para que pulem fora do barco quando perceberem que seu pragmatismo será triturado pelo pragmatismo da Rede. Já vimos isso acontecer com o PT.

Enfim, Marina não convence. Meu voto só será dela por conta de meu imperativo categórico: tirar o PT do poder.

Resumindo:

Voto em Aécio no primeiro turno.

Dando Aécio e Dilma no segundo, voto Aécio.

Dando Aécio e Marina no segundo, voto Aécio.

Dando Dilma e Marina no segundo, voto Marina.

E que Deus tenha pena do Brasil.

Aécio Presidente 2014: os desafios da caminhada

Aécio Presidente 2014: senador vai amarrar palanques estaduais, assegurar a unidade do partido e tentar minar a base de apoio de Dilma.

Aécio Presidente 2014

Fonte: Veja Online 

Os obstáculos na caminhada de Aécio

Enquanto se consolida como o nome tucano para disputar a Presidência em 2014, o senador mineiro se depara com desafios que terão de ser superados se o partido não quiser passar mais quatro anos na oposição

campanha eleitoral de 2014 só deve tomar corpo a partir de março. Mas, desde já, os candidato começaram a mapear os obstáculos que encontrarão no ano que vem. No caso do senador Aécio Neves (PSDB-MG), que deverá ser o adversário tucano de Dilma Rousseff, algumas dificuldades já são claras. Para construir uma candidatura sólida, será preciso amarrar os palanques estaduais, assegurar a unidade interna do partido e tentar minar a ampla base de apoio de Dilma – já que é pouco provável que o PSDB consiga causar alguma defecção no bloco dominante.

Durante algum tempo, a falta de unidade interna foi apontada como o principal problema para a consolidação da candidatura de Aécio: a ala paulista do partido, especialmente o grupo ligado ao ex-governador José Serra, ofereceria resistência ao projeto do senador mineiro. Aos poucos, a oposição a Aécio foi se enfraquecendo: em maio, ele assumiu a presidência do partido. Mesmo o governador de São PauloGeraldo Alckmin, e o líder do partido na Câmara, o paulista Carlos Sampaio, afirmam que o momento é de Aécio. Na última semana, depois que Aécio lançou as bases programáticas de sua campanha eleitoralSerra deu um sinal de que consente com a candidatura do mineiro – embora aliados afirmem que ele não tenha cedido definitivamente.

A prioridade de Aécio, agora, passa a ser a montagem de palanques (que não vai mal) e a atração de partidos aliados (que não vai bem).

​Entrevista: Anastasia quer fórmula mineira no Planalto: ‘Menos governo, mais administração’

PSDB tem, por exemplo, o governador do Pará, Simão Jatene, e o prefeito de Manaus, Artur Virgílio, o que deve garantir bons palanques nos dois principais Estados da região Norte. No maior Estado do Nordeste, a Bahia, os tucanos terão o prefeito de Salvador, ACM Neto (DEM), como cabo eleitoral – e esperam montar um palanque forte, com a presença do PMDB, na disputa pelo governo estadual. A legenda tem o governo do Paraná, com Beto Richa, e conversas bem-encaminhadas para fechar alianças com o PP no Rio Grande do Sul e em Santa Catarina. No Centro-Oeste e no Sudeste, a expectativa é manter a vantagem obtida pelo partido nas eleições de 2010, com José Serra.

Mas também há indefinições: em Minas Gerais, o partido ainda não decidiu quem será o candidato. O ex-ministro Pimenta da Veiga e o deputado federal Marcus Pestana são os nomes mais prováveis. Ambos têm desempenho ainda tímido nas pesquisas eleitorais em que o petista Fernando Pimentel e o peemedebista Clésio Andrade aparecem como os candidatos mais lembrados.

No Rio de Janeiro, o tucano ainda não sabe quem será seu candidato. O PSDB é fraco no Estado, e o projeto de César Maia (DEM) não empolga Aécio. O tucano quer convencer o técnico de vôlei Bernardinho a disputar a sucessão de Sérgio Cabral (PMDB), mas a aposta é incerta. Em São Paulo, Aécio pode ter um clima não tão amigável. Geraldo Alckmin não deve ter uma eleição fácil na busca pelo sexto mandato consecutivo para o PSDB no Estado. E ainda não se sabe como José Serra vai se comportar durante a campanha.

Parcerias – O tucano terá de formar uma coligação sólida, não só para garantir os palanques regionais, mas para assegurar um bom tempo de exposição na TV e no rádio durante o período de propaganda eleitoral gratuita. Hoje, ele tem como seguros apenas os apoios do DEM e do novo Solidariedade. O primeiro partido, esvaziado desde as eleições de 2010, tem 26 deputados. O segundo, por ser recém-criado, tem direito apenas ao tempo mínimo na propaganda eleitoral.

No campo das alianças partidárias, a candidatura do governador pernambucano Eduardo Campos (PSB) tornou o cenário mais árido para Aécio: o PPS, que esteve com os tucanos em 2006 e 2010, já anunciou apoio ao candidato socialista.

Pelas contas do time de Aécio, a aliança atual renderia cerca de quatro minutos de exibição em cada programa eleitoral. A coligação da presidente Dilma Rousseff teria cerca de doze minutos, enquanto Eduardo Campos ficaria com pouco mais de dois minutos. Os tucanos querem assegurar ao menos cinco minutos na TV e no rádio – e estimam que sete seria o melhor cenário possível.

Mas a formação de alianças tem se mostrado uma tarefa árdua: o único partido com negociações abertas além do DEM e do Solidariedade é o PV. Fora isso, resta aos tucanos manter conversas com PTB, PR, PP e PDT para, ao menos, garantir a neutralidade dessas siglas. Desta forma, o tempo de TV das legendas seria distribuído entre os outros partidos, o que amenizaria o desequilíbrio de forças.

Firmadas as alianças, o mais provável é que o DEM pleiteie o posto de vice na chapa. E aí surgirá outro dilema para os tucanos: agradar os tucanos paulistas ou o aliado leal de quase duas décadas? Na primeira hipótese, o nome pode ser o do senador Aloysio Nunes Ferreira. Na segunda, pode ser o também senador José Agripino Maia (RN).

Agripino, aliás, já avisa: “Quando um partido com a história e a estrutura do DEM compõe uma aliança, é de se supor que isso pressuponha a participação na chapa”, diz. Certo é que os tucanos querem que o vice seja de São Paulo ou do Nordeste, para facilitar a conquista de votos em áreas onde Aécio tem tereno a ganhar.

Oposição – Aécio Neves nunca fez parte da linha de frente da oposição: no Senado, foi criticado por se esquivar do confronto com o governo nos momentos mais agudos, como as crises que derrubaram ministros durante o governo Dilma. Nos últimos meses, o senador elevou o tom de seu discurso. Mas ainda precisa acertar o tom da campanha: não por acaso, o marqueteiro Renato Pereira deixou a equipe do tucano há poucos dias.

Parte das discordâncias diriam respeito à interação do tucano pelas redes sociais. O time do tucano criou uma ofensiva virtual, mas o próprio Aécio não interage diretamente com os internautas.

A aproximação – virtual e física – de Aécio com os eleitores é outro tema que precisará ser aprimorado no ano que vem. Especialmente nas regiões onde o senador é pouco conhecido. O tucano já começou a percorrer o país, mas tem se dedicado a encontros com lideranças políticas e do setor produtivo. O corpo a corpo ainda não está em pauta.

Enquanto isso, a presidente Dilma Rousseff elevou a quantidade de viagens e de eventos públicos já no início de 2013. A grande exposição da petista na televisão é uma desvantagem que Aécio ainda não combate com eficiência: para garantir espaço nos meios de comunicação, é preciso gerar fatos relevantes: uma declaração contundente, o anúncio de uma medida original ou uma atitude inusitada – são célebres as fotos de Fernando Henrique Cardoso em cima de um jegue, na campanha presidencial de 1994.

presidente do PSDB mineiroMarcus Pestana, diz que o mais importante é assegurar ao candidato uma exposição positiva no horário eleitoral e nos telejornais. O deputado federal, que também é um dos estrategistas de Aécio, relativiza o peso dos palanques regionais e dos comícios: “É evidente que a eleição presidencial se decide muito mais pela comunicação de massa, particularmente pela TV. Em 1989, o PRN só tinha um prefeito e o Collor virou presidente”, diz. As urnas mostrarão se a estratégia é adequada.

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Cinco desafios para Aécio Neves

Aumentar alianças

Hoje, Aécio Neves pode apenas contar com o recém-criado partido Solidariedade para as eleições de 2014. A sigla, capitaneada pelo deputado Paulo Pereira da Silva, nasceu com o apoio do senador mineiro. O DEM ainda não bateu o martelo, mas deve estar ao lado dos tucanos no ano que vem. O PV, que tem pouco peso político, também pode chegar. E é só: mesmo o PPS, que se aliou aos tucanos em 2006 e 2010, já anunciou apoio a Eduardo Campos (PSB). Sem uma boa aliança, Aécio corre o risco de ter pouco tempo de televisão. Os próprios tucanos admitem que ele teria apenas um terço do espaço destinado à presidente Dilma Rousseff.

Popularizar-se

Hoje, Aécio Neves pode apenas contar com o recém-criado partido Solidariedade para as eleições de 2014. A sigla, capitaneada pelo deputado Paulo Pereira da Silva, nasceu com o apoio do senador mineiro. O DEM ainda não bateu o martelo, mas deve estar ao lado dos tucanos no ano que vem. O PV, que tem pouco peso político, também pode chegar. E é só: mesmo o PPS, que se aliou aos tucanos em 2006 e 2010, já anunciou apoio a Eduardo Campos (PSB). Sem uma boa aliança, Aécio corre o risco de ter pouco tempo de televisão. Os próprios tucanos admitem que ele teria apenas um terço do espaço destinado à presidente Dilma Rousseff.

Achar o tom da campanha

Aécio Neves trocou de marqueteiro recentemente: Renato Pereira deixou a equipe por divergências com o senador e sua equipe. É uma prova de que o pré-candidato ainda precisa encontrar o tom adequado para sua campanha. Na última semana, ele lançou um documento com críticas ao governo e propostas para o país. Mas o formato do evento pouco revelou sobre o que virá na campanha eleitoral. O senador ainda chama pouca atenção do noticiário.

Escolher o vice

Em 2010, José Serra optou por Alvaro Dias, também tucano. Mas o DEM ameaçou romper a aliança e acabou forçando os tucanos a optar pelo democrata Indio da Costa – hoje no PSD. Neste ano, a pressão por um vice do PSDB deve se intensificar, já que o DEM perdeu peso político desde 2010 e o recém-criado Solidariedade é ainda menos expressivo. O vice de Aécio deve ser nordestino ou paulista, para conquistar votos em áreas-chave para o candidato. A decisão deve sair apenas na reta final da campanha.

Unificar o partido

O gesto de José Serra, que sugeriu na última semana que dirigentes do PSDB formalizem o do nome de Aécio como candidato, foi interpretado como uma desistência, mas pode ser apenas um sinal de que a disputa interna ainda não terminou: a ala paulista do partido ainda não aderiu totalmente à candidatura de Aécio. E, mesmo que tenha o consentimento do PSDB de São Paulo para sua candidatura, Aécio não sabe se vai contar com todo o empenho da ala serrista do partido durante a campanha eleitoral.