Gestão em Minas: projetos de pesquisa da Funed são aprovados para apresentação em congresso internacional

Destinação correta de resíduos gerados pelos laboratórios e unidades fabris é um compromisso da Funed com a sociedade

Dois projetos desdenvolvidos por funcionários da Fundação Ezequiel Dias (Funed), ambos voltados para o gerenciamento adequado de resíduos gerados pela instituição, foram selecionados para apresentação no Congresso Mundial de Resíduos Sólidos, que este ano será realizado na cidade de Florença, na Itália. Desde 2001, a definição de estratégias adequadas para o tratamento dos resíduos tem sido uma preocupação e linha de atuação recorrente na Funed. O objetivo, segundo o presidente da Instituição, Augusto Monteiro Guimarães, é alcançar o padrão de qualidade total, atendendo às legislações pertinentes.

Segundo ele, as atividades de produção de medicamentos, imunobiológicos e análises laboratoriais da Funed geram mais de dois mil reagentes e outros tipos de resíduos. “A destinação correta desses produtos gerados pelos laboratórios e unidades fabris é um compromisso da Funed com a sociedade. É nosso dever garantir uma produção mais limpa, promover a redução do impacto ambiental e do consumo de recursos naturais”, diz Guimarães. Os trabalhos desenvolvidos pelos funcionários, submetidos por eles e aprovados para participação no congresso evidenciam esses esforços e alinhamento com as estratégias socialmente corretas.

Bolsa de Resíduos

Um dos estudos, submetido pelo chefe do Serviço de Gestão Ambiental (SGAmb), Marcos Mol, demonstra como é realizado o trabalho da Bolsa de Resíduos da Fundação que, desde 2005 gerencia os resíduos químicos, desde sua geração até sua disposição final, de forma a garantir o reaproveitamento deles.

De acordo com Mol, a bolsa trabalha com o recolhimento, separação e disponibilização para troca de reagentes e outos itens que já foram utilizados nos processos de trabalho da Fundação, mas que ainda possuem potencial de uso em pesquisas e testes em outros laboratórios, até mesmo em outras insituições do Estado. “A Bolsa de Produtos Residuais permite que os produtos químicos obsoletos, preparações químicas e vidrarias de laboratórios possam ser disponibilizados a outras áreas e reaproveitados. Gera economia para o Estado e ainda contribui para a destinação correta dos materiais, evitando graves impactos ao meio ambiente”, afirma.

As áreas técnicas solicitam, via sistema informatizado, a coleta dos resíduos e reposição de embalagens para acondicionamento. O atendimento é realizado diariamente. Os resíduos recolhidos pelo Serviço de Gestão Ambiental são encaminhados para os abrigos específicos (dentro da própria instituição, construídos em 2004, de acordo com a compatibilidade química de cada produto) onde, posteriormente, é realizada sua destinação final. “Após o atendimento das demandas internas, da própria Funed, a listagem com os produtos disponíveis é enviada a outras instituições de pesquisa e de saúde de Minas”, explica Marcos Mol.

É o caso da Fundação Centro Tecnológico de Minas Gerais (Cetec), Universidade do Estado de Minas Gerais (UEMG) e da Universidade Federal de Viçosa (UFV). Somente no período de janeiro a julho de 2011, o Serviço de Gestão Ambiental da Funed realizou trocas de 1.324 produtos, representando uma economia de mais de R$ 45 mil. “A Fundação economiza, pois deixa de gastar com o tratamento necessário no descarte do resíduo. Como toda boa parceria, a instituição conveniada também ganha, pois deixa de pagar por um produto novo”, explica.

Para que a doação ocorra, Marcos afirma que todos os procedimentos de reutilização e reciclagem de produtos seguem embasamento legal e são executados dentro de um sistema de controle e rastreabilidade para dar segurança quanto ao uso e destino final do resíduo.

Descontaminação de resíduo biológico

Já o trabalho da chefe da Unidade de Higienização e Produção de Meios de Cultura (UHPMC) da Funed, Maria Aparecida Galvão, foca no processo de descontaminação de resíduos biológicos, que possuem agentes biológicos ou que são contaminados por eles e apresentam riscos potenciais à saúde pública e ao meio ambiente como materiais perfurantes e cortantes e resíduos provenientes de pacientes com suspeitas de doenças.

Segundo Maria Aparecida, no Brasil, as legislações pertinentes (RDC 306204 da Agência Nacional de Vigilância Sanitária e 358 do Conselho Nacional do Meio Ambiente) determinam que os estabelecimentos de saúde tenham um programa de gerenciamento de resíduos adequado para redução do potencial de risco. “E o método normalmente empregado no país é a descontaminação pelo calor úmido (autoclavação), por meio do qual os micro-organismos são destruídos ou inativados pela ação combinada da temperatura, pressão e umidade”, explica.

A Funed, que é responsável pelo diagnóstico de mais de 33 doenças, por exemplo, adota a autoclavação e segue todos os padrões determinados pelas legislações. “Nossos processos estão certificados e acreditados por órgãos competentes como Organização Nacional de Acreditação, Organização Mundial de Saúde e Inmetro. Ainda assim, sentimos necessidade de avaliar a eficácia do processo de forma a propor melhorias contínuas e assegurar a eliminação total de riscos à saúde e ao meio ambiente. É nosso papel”, explica a autora do estudo.

Em seu trabalho, Maria Aparecida monitorou, durante uma semana, o processo de descontaminação de 240 quilos de resíduos biológicos. Os resultados preliminares evidenciaram que 62,47% deles, mesmo depois de descontaminados, permitiram crescimento de uma bactéria usada como indicador. “São resultados preliminares que ainda necessitam de avaliações complementares para evidenciar as possíveis causas e propor ações corretivas concretas. Mas o fato é que ainda que os protocolos de descontaminação estejam sendo devidamente cumpridos, os requisitos legais de descontaminação não estão sendo atingidos”, afirma.

Segundo ela, a literatura consultada para o trabalho estima que no país, mais de 60% dos Resíduos de Serviço de Saúde são indevidamente depositados no ambiente, em lixões ou cursos d’água. “O que evidencia que essa situação é recorrente. Isso é um risco à saúde e ao meio ambiente, pois os micro-organismos infecciosos que causam doença encontram condições ideais para proliferação na massa destes resíduos”, diz.

Congresso

O congresso é realizado anualmente pela Associação Internacional de Resíduos Sólidos (ISWA) e tem como objetivo promover o debate sobre o tema e troca de experiências entre profissionais e empresas de vários países. A expectativa para este ano é de que 800 pessoas, entre acadêmicos, administradores públicos, empresários de mais de 60 países participem do evento.

Os funcionários da Funed demostram otimismo e orgulho de terem a oportunidade de apresentar os trabalhos realizados na Funed num evento mundial.“Tenho a expectativa de conhecer o que o mundo tem feito para melhorar a Gestão dos Resíduos Sólidos e com isto poder avaliar se estamos atuando no caminho certo para tornar a Funed referência”, afirma Maria Aparecida Galvão.

O congresso Mundial de Resíduos Sólidos de 2012 será realizado em setembro deste ano – de 17 a 19 – em Florença, na Itália.

Fonte: Agência Minas

Publicado em 27/02/2012, em Anastasia, Antonio Anastasia, Choque de Gestão, Gestao Pública, Gestão, Gestão Eficiente, Gestão em Minas e marcado como , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , . Adicione o link aos favoritos. Deixe um comentário.

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